MOVIMENTO MC²

MODERNIZAÇÃO

DA CADEIA DA

CONSTRUÇÃO

“A próxima transformação do varejo da construção civil não será tecnológica.

Será estrutural.”

Um retrato honesto do que mudou na cadeia da construção civil e porque é hora da cadeia se reintegrar para crescer — varejo, distribuição e indústria.

Contexto Histórico

A renda do brasileiro não acompanhou a valorização do imóvel.


Nos últimos 30 anos, o mercado de construção civil passou por uma transformação estrutural profunda. O sonho da casa própria se tornou distante para o brasileiro, uma vez que a renda não acompanhou a valorização dos imóveis.

Em 2000, uma família de renda média precisava de 3,5 anos de salário bruto para comprar um imóvel de 60 m². Em 2025 esse número aumentou para 9,5 anos — 2.7 vezes a mais para adquirir o mesmo imóvel (isso desconsiderando as taxas de financiamento).

2000
~3,5 anos
de renda média para 60m²
M² = R$ 800 · Renda = R$ 980/mês
2010
~5,3 anos
de renda média para 60m²
M² = R$ 3.300 · Renda = R$ 1.870/mês
2025
~9,5 anos
de renda média para 60m²
M² = R$ 9.611 · Renda = R$ 3.367/mês
CRESCIMENTO RENDA VS. IMÓVEL
+171%
preço do m² subiu 1.101%
renda média subiu 244% (nominal)

Evitando dívidas de longo prazo, o brasileiro passou a alugar imóvel ao invés de comprar.

Em 25 anos, a proporção de brasileiros morando de aluguel passou de 12,3% para 23,8%.

No mesmo período, o percentual de domicílios próprios quitados caiu de 76,8% para 60,2%.

Alugado Próprio quitado Próprio (pagando) Cedido / outro

Fontes: IBGE Censo Demográfico 2000 e 2010; IBGE Censo 2022; PNAD Contínua 2016–2025. Percentuais referem-se à população residente em domicílios particulares permanentes. Dados 2004 e 2008 interpolados.

O Impacto no Varejo da Construção Civil

O novo comportamento de consumo.


“Ao invés de investir em um ativo de terceiro (residência alugada), o consumidor passou a priorizar pequenas reformas e decoração.”


As reformas autônomas/independentes, principal fonte de receita do varejo da construção, migraram da construção bruta para pequenas melhorias. O consumidor, que antes buscava cimento, areia, ferro e revestimento, agora busca por produtos de fácil aplicação e decorativos.

Uma pessoa que mora de aluguel não vai trocar piso, erguer uma parede ou construir uma área de festa nova. Essa pessoa vai priorizar a aplicação de papel de parede, fixar nichos e repaginar sua sala ou cozinha com móveis e decoração.

Construção brutaCimento, bloco, ferro, areia Reforma interiorTinta, piso laminado, revestimento Decoração / DIYPapel de parede, adesivos, LED, organização

Fontes: SNIC, ABRAMAT/FGV, ANAMACO, CBIC/FGV IBRE, IBGE/PNAD Contínua, Nuvemshop/NuvemCommerce, ABCasa. Percentuais são estimativas de composição de demanda elaboradas a partir das variações relativas reportadas pelas fontes.

Com um orçamento cada vez mais reduzido, este consumidor encontra o que precisa no comércio eletrônico, principalmente em e-commerces asiáticos, como Shopee e Temu.

A Shopee e a Temu oferecem a esse público exatamente o que procuram: produtos baratos, visuais e de fácil aplicação. Em 6 anos no Brasil, as duas juntas passaram a ocupar 32% do mercado de decoração no Brasil.

Shopee / Temu (cross-border) E-comm nacional (Amazon, ML, MadeiraMadeira) Home centers (Leroy Merlin, Telhanorte) Varejo físico tradicional Lojas especializadas (Tok&Stok etc.)

Fontes: ABRAMAT/Ecconit, SNIC, Nuvemshop/NuvemCommerce, Webshoppers/Ebit-Nielsen, ABCasa, Citi/SimilarWeb, BTG Pactual. Participações de canal estimadas com base em declarações setoriais e relatórios de e-commerce. Dados referem-se ao segmento de decoração, DIY e produtos de reforma sem obra.

Posts como estes passam a viralizar cada vez mais nas redes sociais, que majoritariamente são dominadas pelas novas gerações de consumidores.

Colagem de posts virais mostrando transformações de ambientes com produtos da Shopee: casa de rica com baratinhos, reforma sem quebra-quebra, transformação do banheiro

Posts virais de criadores de conteúdo nas redes sociais — reproduzido para fins informativos e de análise de mercado.

Produtos que antes eram vendidos em lojas físicas - e até produtos que o varejo físico se quer já tiveram na prateleira - hoje chegam direto da China na casa do consumidor.

Isso não é um problema passageiro.

Isso é uma reconfiguração estrutural que impacta toda a cadeia nacional, inclusive a origem: INDÚSTRIA e DISTRIBUIÇÃO.

O Impacto na Origem da Cadeia

INDÚSTRIA e DISTRIBUIÇÃO são pressionados pelo mercado externo e imobiliário nacional.


A cadeia da construção civil funcionou, até pouco tempo atrás, de forma linear: a indústria produzia, o distribuidor armazenava e transportava, e o lojista vendia ao consumidor final e obras. Cada elo tinha seu papel bem definido, sendo as margens calculadas com base nessa estrutura.

Antes — A cadeia linear da construção civil

Diagrama da cadeia linear da construção civil: China → Indústria Nacional → Distribuidor → Varejo → Consumidor Final / Construtoras


Quando o volume de produtos nacionais cai, toda a cadeia sente. E para manter-se competitivo, cada elo buscou se adaptar a economia nacional.


A transformação da cadeia — Atualmente

INDÚSTRIAS inevitavelmente tiveram que começar a atender construtoras devido à pressão por margem e rentabilidade dos imóveis.

DISTRIBUIDORES viraram atacarejo, atendendo o consumidor final, que antes era atendido pelo lojista (Exemplo: modelo híbrido — Obramax — 2ª maior varejista do Brasil chegando ao país em 2015).

Nascem OPERADORES DE E-COMMERCE visto a demanda crescente do comércio eletrônico impulsionado pelas redes sociais.

Diagrama da cadeia híbrida e interconectada da construção civil atual: China cresce, Brasil cai, com fluxos paralelos para E-commerces, Home Centers e Atacarejos, Varejo Independente (em alerta) e Construtoras


A Realidade Mascarada

A FGV, em 2025, apresentou uma pesquisa informando que o varejo de construção civil cresceu 4,9% em 2024. Mas esse número não conta a história por completa.

O crescimento foi desigual e "puxado para cima" pelas redes e lojas com mais de 50 funcionários — Home Centers, Atacarejos e E-Commerces.

Dos 10 maiores varejistas do Brasil, os 2 primeiros - Leroy Merlin e Obramax - são do Grupo Francês Adeo, e ocupam uma posição híbrida no mercado. Leroy Merlin: Home Center e E-Commerce. Obramax trouxe o conceito de Atacarejo ao Brasil.

Enquanto isso, o pequeno e médio lojista continua lutando contra problemas estruturais que nenhum esforço de venda resolve sozinho.

PRINCIPAIS DORES DO VAREJO

⚠️ O varejo independente carrega o ônus de uma mudança desestruturada.

O varejo de pequeno e médio porte da construção civil, que representa a espinha dorsal da distribuição capilarizada no Brasil (+152 mil lojas em território nacional), está no meio de toda essa pressão, sem condições necessárias para competir em igualdade.

Os principais pontos de atrito do varejo independente hoje são:

Precificação desequilibrada na origem

A loja física paga muito mais caro pelo mesmo produto que está sendo vendido mais barato na internet, muitas vezes pelo mesmo fabricante. Sem balanceamento na precificação, o lojista investe em produtos que não giram por falta de competitividade — mesmo fazendo o "trabalho invisível" de apresentar o produto in loco, muitas vezes tendo que escutar do consumidor um "Obrigado, mas vou comprar na internet porque é mais barato".

Burocracia desproporcional

Fazer cadastro, inflexibilidade na escolha do canal de atendimento, crédito, informação técnica de produtos, entre outros. Tudo isso exige um esforço desproporcional do lojista. A burocracia das indústrias penaliza quem mais precisa de agilidade para competir.

Falta de prioridade e atenção

Indústrias e distribuidores estruturaram seus times comerciais para grandes volumes. O varejo independente, com pedidos menores e frequentes, fica para o final da fila e, muitas vezes, para o final da lista de prioridades do comercial.

Fornecedores desatualizados

A maioria dos fornecedores terceirizou o comercial com representantes que não se modernizaram nos últimos anos. Sem dados históricos, informações de sell-out (preços praticados pelas revendas), acompanhamento de giro de produtos e sugestão de mix adequado, torna-se impossível estabelecer uma estratégia equilibrada e vencedora.

Falta de dados e integração

Sem integração comercial entre os elos, as decisões são tomadas no feeling. Nenhum lado da cadeia tem uma visão clara do que está acontecendo no PDV e com o consumidor final — e isso custa caro para todos.

O Movimento

O MC2 representa o varejo independente da construção civil


Muito além da operação comercial, o varejo independente da construção civil movimenta bairros, cidades e relações de confiança construídas ao longo de décadas.

São milhares de lojistas independentes que abrem as portas todos os dias, conhecem seus clientes pelo nome, entendem a realidade local, orientam reformas, ajudam famílias, apoiam profissionais da construção e sustentam economias regionais em todo o país.

“O MC2 nasce da convicção de que dados, transparência e desburocratização são condições básicas para o varejista competir.”

NOSSO PROPÓSITO

Modernizar a cadeia da construção e fortelecer o varejo independente.


O varejo independente da construção civil não precisa de caridade, precisa de condições justas para competir. Isso significa reorganizar a cadeia em torno de três pilares fundamentais.

Pilar 01

Dados

Dados de Sell-in (preço de compra praticado) e Sell-out (preço de venda sugerido), tabelas de preço padronizadas para cada elo da cadeia, monitoramento e análise em tempo real do mercado.

Pilar 02

Transparência

Precificação justa, sem penalização do varejo físico frente a canais digitais ou atacarejos, e com margens saudáveis.

Pilar 03

Desburocratização

Gestão de carteira simplificada, liberdade na escolha de canais, agilidade no atendimento ao lojista e acesso facilitado a novos fornecedores.



Quando o varejo independente prospera, toda a cadeia ganha capilaridade, confiança e presença onde nenhum algoritmo chega.

Solução existe. Hoje a tecnologia está acessível à todos. O que falta agora é vontade coletiva e reconhecimento de todos os elos da cadeia — indústria, distribuidor e varejo.



Objetivos

Defender condições comerciais igualitárias e saudáveis

  • Reinvidicar tabelas de preço saudáveis padronizadas por perfil de varejo — físico, eletrônico e atacarejo.
  • Estabelecer e compartilhar preço-alvo sugerido (sell-out) por canal.
  • Negociar condições atrativas de prazo e crédito para o varejo independente.
  • Combater a canibalização abusiva de canais em detrimento de margem.

Busca por novos fornecedores

  • Mapear e conectar fornecedores que queiram crescer com o varejo independente.
  • Criar um ambiente para indústrias parceiras, com precificação e condições comerciais transparentes.
  • Estimular o acesso a novos produtos, de fácil aplicação, decoração e DIY - demanda crescente.
  • Facilitar compras coletivas entre lojistas para ganhar escala e acesso a condições exclusivas e competitivas.

Compartilhar informativos do setor

  • Publicar regularmente informativos de inteligência de mercado e tendências de consumo.
  • Monitorar e comunicar ações que afetam categorias específicas do setor.
  • Compartilhar movimentos do setor (novas políticas, fusões, aquisições, lançamentos, etc).
  • Ser o porta voz do varejista independente em espaços de decisão e colaboração.

Fornecer capacitação técnica e de gestão

  • Trazer mentores e consultores de referência do setor.
  • Publicar guias rápidos de gestão de mix para o novo perfil de consumidor.
  • Oferecer trilhas de cursos online (EAD) acessíveis e no ritmo do lojista.
  • Disponibilizar e-books práticos de gestão, precificação e vendas.
  • Ensinar o uso de ferramentas e dados para reorganizar a loja e o mix.

Faça parte deste movimento.

Junte-se aos lojistas que estão reorganizando a cadeia da construção civil para competir em condições justas.

Quero participar